domingo, 16 de fevereiro de 2014

Guiões sobre como utilizar plataformas Moodle


O Moodle é um software aplicacional para produzir e gerir actividades de educação e formação baseadas na internet. É um projecto de desenvolvimento contínuo pensado na teoria educativa do construtivismo social. Conjuga actividades educativas com um pacote de software desenhado para ajudar os professores a obterem qualidade nas actividades educativas que venham a desenvolver on-line. O Moodle é aplicado em sistemas de e-learning, mas pode ser usado em aulas reais e como complemento às aulas presenciais.
O acrónimo Moodle teve origem na expressão: Modular Object-Oriented Dynamic Learning Environment e distribui-se livremente porque é um software Open Source[1], sob a Licença Pública GNU(General Public License)[2], que, em síntese, refere que o mesmo pode ser redistribuído e modificado desde que os utilizadores forneçam o código fonte a terceiros, não modifiquem nem retirem a licença original e os direitos de autor e apliquem os mesmos procedimentos a qualquer trabalho que seja derivado deste. O conceito foi criado em 2001 pelo educador e cientista computacional Martin Dougiamas, que decidiu criar o seu próprio sistema de aprendizagem on-line e permitir que os membros da comunidade open source o ajudassem a desenvolver e a aperfeiçoar as suas ideias. A primeira versão do Moodle surgiu em 20 de Agosto de 2002 sendo que, a partir dessa data, têm surgido novas versões de forma regular. Este software muito versátil pode ser utilizado por um único professor para desenvolver um trabalho com a sua turma e ir até à utilização de comunidades educativas de escolas básicas e secundárias ou universidades com muitos utilizadores.

A plataforma Moodle é na maioria das vezes referida como um CMS (Course Management System) por ser um sistema de gestão de disciplinas/cursos, mas alguns autores integram-no também nos LMS (Learning Management Systems). Os LMS são Sistemas de Gestão de Aprendizagem suportados por aplicações informáticas que gerem todo o processo de ensino e aprendizagem e permitem a individualização dos processos, uma vez que implicam a autenticação de cada aprendente, podendo cada um aceder a situações específicas e que permitem observar o percurso do aluno. O CMS (Course Management System) é um software que faz a gestão do percurso do aluno, acompanha e monitoriza o seu desempenho, e cria e distribui conteúdos de um curso. Permite organizar e gerir material de um ou mais cursos, disponibiliza ferramentas para comunicação  e interacção entre os intervenientes.
A plataforma Moodle apoia-se nos princípios teóricos da teoria construtivista da aprendizagem e influenciado por investigadores como Papert, Von Glasersfeld, Duffy & Cunningham, entre outros, Dougiamas desenhou a plataforma Moodle de modo a criar oportunidades de interacção e trabalho colaborativo entre os utilizadores e a ser mais centrada no aluno, levando-o a construir o seu próprio saber, aprendendo a aprender.


Como refere Carvalho (2007:34) “aceder a uma plataforma normalmente, implica ter uma palavra passe. Por esse motivo, a informação fica privada ao professor e aos seus alunos, podendo estes constituir uma pequena comunidade de aprendizagem. Em privado, partilham as dúvidas, as descobertas, as reflexões. Professores e alunos ficam protegidos da curiosidade alheia”. Por outro lado “como se está protegido, também se perde o contacto com outros interlocutores”. Com a plataforma Moodle, cada professor/formador poderá dinamizar uma disciplina/curso ao qual apenas os participantes registados têm acesso ou podem optar por definir que tudo tenha acesso livre.
O facto de ser software livre, levou a que fosse uma aposta nas escolas públicas portuguesas: por um lado é gratuito e por outro porque é modular, podemos sempre acrescentar-lhe novos módulos, além de ser relativamente fácil de utilizar.

Roteiros para utilizar o Moodle como professor/formador

Roteiro nº 1 - Acesso e utilização da plataforma
Roteiro nº 2 - Configuração da disciplina
Roteiro nº 3 - Colocar imagens e documentos no Moodle
Roteiro nº 4 - Fóruns, Glossário e Chat
Roteiro nº 5 - Configuração do calendário
Roteiro nº 6 - Elaborar mini-testes
Roteiro nº 7 - Elaborar Wiki
Roteiro nº 9 - Elaborar questionários
Roteiro n.º 10- Elaborar Bases de dados


Organização da plataforma Moodle 

O Moodle organiza-se por áreas de trabalho que habitualmente se denominam disciplinas ou cursos, que disponibilizam diversas ferramentas/módulos com diferentes funções. Algumas servem meramente como repositório de recursos onde se consulta informação, outras promovem actividades interactivas e ainda dispõe de ferramentas para fomentar a comunicação de forma síncrona e assíncrona.
Na plataforma de e-learning Moodle os cursos/disciplinas podem ser configurados em três formatos, de acordo com a actividade a ser desenvolvida:
Formato Social: em que o tema é articulado em torno de um fórum publicado na página principal;
Formato Semanal: no qual o curso é organizado em semanas, com datas de início e fim;
Formato em Tópicos: onde cada assunto a ser discutido representa um tópico, sem limite de tempo pré-definido.
Vejamos então o conjunto de módulos ou ferramentas que o MOODLE dispõe e que torna possíveis essas diferentes actividades:
Fóruns:
São ferramentas de discussão assíncrona por natureza. No MOODLE eles podem ser definidos para 
(i) uma discussão geral onde todos os membros participam; 
(ii) uma única discussão; 
(iii) sem respostas; 
(iv) só para um grupo de trabalho.
Ao utiliza-lo para dinamizar uma discussão em grupo, deverão ser definidas regras de participação e com a comunicação mediada pelo professor ou líderes de grupo por exemplo.
Na discussão de um tema, permite a classificação de mensagens, inclusivamente pelos alunos. As mensagens podem incluir anexos em diferentes formatos (imagens, pdf, documento de texto, vídeo, áudio, zip, etc…), partilhando os ficheiros ao grupo.
Chats:
São locais de comunicação síncrona, permitem a troca de pequenas mensagens de texto. Local onde é possível realizar brainstormings, esclarecimento de dúvidas, etc… Estas sessões podem ser calendarizadas, podendo ser utilizados para discutir um tema ou tirar dúvidas.
Adequado para usar a distância, para comunicação em tempo real, deve ser utilizado em grupo, definido regras de participação e com a comunicação mediada pelo professor ou líderes de grupo por exemplo.

Testes:
O professor pode criar testes, em diferentes formatos de resposta: (i) verdadeiro ou falso; (ii) escolha múltipla; (iii) correspondência, entre outros. É também possível escolher respostas aleatoriamente, corrigi-las automaticamente e exportar os dados para uma folha de cálculo ou documento de texto.

Trabalhos:
Os trabalhos permitem ao professor comentar documentos enviados pelos alunos, criados off-line ou on-line. Permite também classificar os mesmos, sendo que as avaliações feitas pelo professor podem ser visíveis para o aluno e exportáveis pelo professor para uma folha de cálculo. Os ficheiros do aluno e comentários do aluno, apenas são visualizados pelo aluno interveniente no processo.

Wikis:
São ferramentas que dão aos alunos e professores a possibilidade de colaborar entre si, através da construção de hipertexto que representa o conhecimento construído socialmente pela comunidade de aprendizagem. O aluno assume a função de editor.
O documento é iniciado quando um aluno ou professor faz a primeira entrada na ferramenta alusivo a determinado tema. Os outros alunos têm a possibilidade de modificá-lo desenvolvendo as ideias do ponto de vista colocado.

Glossários:
Permitem aos participantes da disciplina criar dicionários, bases de dados documentais ou de ficheiros, galerias de imagens ou mesmo ligações que podem ser facilmente pesquisados. Cada entrada permite comentário e avaliação.

Lições:
Consiste num número de páginas ou diapositivos que podem ter questões intercaladas com algum tipo de classificação e que o prosseguimento do aluno pode estar dependente das suas respostas.

Actividades SCORM:
O Acrónimo SCORM significa Sharable Content Object Reference Model e está relacionado com um conjunto de directrizes técnicas que têm como objectivo permitir a partilha de objectos de aprendizagem baseados em tecnologias Web. Trata-se da padronização de um modelo que permite a reutilização, acessibilidade e interoperabilidade dos objectos de aprendizagem, objectos estes, frequentemente utilizados nas plataformas de e-learning. Com o módulo de actividades SCORM é possível importar para o MOODLE os objectos de aprendizagem neste formato, os quais podem ser combinados entre si para criar um linha progressiva na transmissão dos conteúdos, realizando um percurso de aprendizagem.

Inquéritos:
Esta ferramenta é constituída por um conjunto de instrumentos que permite de forma muito eficaz a avaliação da aprendizagem e a consulta da opinião dos alunos inscritos numa disciplina.

Referendos:
Os referendos podem ser utilizados para recolha de opiniões dos elementos da comunidade ou para inscrição numa determinada actividade, sendo as opções de escolha definidas pelo professor ou moderador.

Questionários:
Os questionários são uma ferramenta de inquéritos que podem ser realizados a participantes de diferentes disciplinas (a todos os participantes do MOODLE) ou só aos alunos de uma disciplina. Permite o anonimato e a exportação dos dados para um ficheiro de texto ou folha de cálculo.

Workshop:
Este módulo ou actividade permite aos alunos colaborarem na construção de possíveis soluções para um problema autêntico e avaliar em grupo as soluções apresentadas.

Diário:
Adequado para usar a distância, para comunicação em diferido. É utilizado para reflexão individual, estruturação de ideias. Privilegia a comunicação com alunos mais introvertidos.






[1] Open  Significa que tem direitos de autor, mas que os utilizadores podem copiar, utilizar e modificar o software, desde que aceitem proporcionar o código fonte aos outros, não modificar ou eliminar a licença original e os direitos de autor, e aplicar a mesma licença qualquer outro produto derivado. Conceito adaptado de  http://www.opensource.org/, consultada em Abril de 2009
[2] Consultar em: http://www.gnu.org/copyleft/gpl.html#SEC1

Referências Bibliográficas

Carvalho, A. A. (2007). Rentabilizar a Internet no Ensino Básico e Secundário: dos Recursos e Ferramentas Online ao LMS. Sísifo. Revista de Ciências da Educação. 03, pp (25-40). Consultado em Janeiro, 2009 em http://sisifo.fpce.ul.pt